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terça-feira, 17 de dezembro de 2013

A louca vida de Alice

06:40|Sabado de manhã|26 de Setembro |Londres
Me acordei com as lambidas de Anakin de manhã e uma musica que meus ouvidos conheciam bem. Estrela do Vitor Ramil. Eu estava deitada sob meus livros e havia esquecido a porta da sacada aberta, um vento frio entrava. Tirei meus óculos de leitura e fui ver que musica era aquela. Hum... Era só um velho UNO com o som ligado alto, bom gosto musical! Olhei o relógio, caramba! Eu não podia me dar ao luxo de dormir aos sabados infelizmente sabe... Tinha que ir pra aula e terminar o bendito (maldito) terceiro ano do ensino médio logo. Arrumei meus livros espalhados pela cama e soquei dentro da bolsa. Peguei uma blusa e um jeans e fui me lavar, não tinha dormido porque fiquei estudando a noite toda, acho que peguei no sono e cochilei... Bom, o que eu fazia em Londres? Intercambio. Meu colégio em Porto Alegre fez uma espécie de parceria com um curso de intercambio e bem, os interessados que se inscrevessem.  O pessoal do intercambio ficava com famílias diferentes, mas todos na mesma escola especial onde os professores falavam em português, não que meu inglês não fosse fluente, até fazia alguns cursos extras, mas a escola especial era obrigatória. (Como os donos do colégio são espertos! Tendo aulas extras em plena viagem de intercambio e podendo aumentar nosso vocabulário da língua mundial era meio obvio que pais de alunos de 3º ano no ensino médio, com hormônios estourando, livres leves e soltos, necessitando de aventura cederiam, afinal não era apenas uma oportunidade de estudar fora e evoluir o inglês como também pensavam que seria bom os filhos aproveitarem um pouco fora e aprenderem a lidar sozinhos. Quer dizer...Sozinhos não literalmente, graças a nossas famílias de intercambio.) Sai do banho e me sequei isso eram 10 pras 7, a aula começava as 8 e 30.  Me arrumei, tomei o café peguei minhas coisas e fui esperar o Bus com minha irmã de intercambio que se tornou uma das minhas melhores amigas. Dayse Workbon, realmente não só ela, mas toda minha família do intercambio era ótima! Pegávamos o mesmo Bus, mas íamos para caminhos/escolas diferentes, ambos lados odiavam isso. Cheguei no meu destino (Vire a esquerda para a entrada da escola João XXIII 50 km. *5 min depois* Chegou ao seu destino.)
Sim, estudo no João XXIII. Uma droga ao meu ver, por que?
Então prosseguindo... Entrei na sala de aula com 8 min de antecedência e fiquei sentada esperando rabiscando o caderno. Daí alguém me cutucou.
Virei pra trás e vi que Bruno me olhava sorrindo amarelo.
Sorri de volta e ignorei apesar de ser meu amigo.
Ai virei pra frente e dei de cara com Thais minha (melhor) amiga (Diva, ela sempre me manda não esquecer desse detalhe crucial em sua personalidade). Ok, prosseguindo. Ela que sempre anda a par das novidades já começou a sessão fofoca, não que ela seja fofoqueira mas bem... Deu pra entender né? Eu apenas chamo nosso momento de falar sobre outras pessoas, comportamentos e tal de sessão fofoca.
- Lili! -  Lili, é meu apelido só pra constar, eu não sei se viveria se meu nome fosse esse pequenino contendo apenas quatro letras mas bem, é só pra encurtar o Alice. Não que faça muita diferença já que meu nome só contem 5 letras - Nem te conto!
- Conta sim, que você senhorita ‘’Diva’’ Não sobrevive um dia sem contar as fofocas diárias desse povo sem vida que vemos dia-a-dia na escola para a senhorita Lili aqui.
- Era modo de falar boba... Mas tudo bem. Pois então, sabe o Henrique do 3º B?
- Hum...- Como esquecer? Julia (Minha outra amiga) não me permitiria esquecer um nome tão IMPORTANTE para ela sobreviver. – Sei. O que tem?
- Bom, ontem ele foi pra direção, adivinha por quê?
- Por quê? – Perguntei por perguntar, ele era famoso por suas artimanhas incansáveis e inacabáveis, então como conseqüência sempre que escorregava e era descoberto (quase) sempre ia pra direção. Aquilo não era exatamente uma ‘’fofoca’’ hum... Digamos assim, picante. E também tinha o fato de se eu não perguntasse o Por quê tão desejado de Thais ela não me contaria, e confesso que apesar de não ser novidade eu gostaria de saber qual foi que ele aprontou essa vez.
- Pegaram ele agarrando a Millena do 3º C que contou pra Ashley do 3º D que por sua vez é minha amiga e me contou! Mas contou que a Millena não teve nenhum envolvimento e que ele a agarrou a força, ela simplesmente o empurrou com a delicadeza de um mamute.
Ok aquilo era novidade.
Ok. Eu precisava consolar a Julia caso ela soubesse, dramática como era, era bem capaz de seu mundo despencar naquele instante.
Ok! Aquilo era mais picante do que parecia porque o colégio inteiro no Brasil e aqui acredito, sabem que o Henrique namora (namorava?) e que não era de sair agarrando as meninas a força. Nem de trair, suponho.
- Certo... E a... Suposta namorada dele?
- Sei lá, ficou no Brasil já que não teve a autorização dos pais pra vir e ele deve ter pensado que ela não ficaria sabendo, então não perdeu tempo, mas creio que agora a diretoria mande ele de volta para casa, era (é) estritamente proibido ‘’pegação’’ no intercambio ou namoro. Os pais ficariam loucos se pudesse e ninguém viria. Aposto! Eu tenho pena do Henrique, sério. Fiquei sabendo que a mãe dele é do tipo que manda até pra escola militar. E quanto a namorada... Sei não.
De repente, magicamente brotando do chão surge Eduardo praticamente se metendo na conversa:
- Na verdade a Millena é amiga da namorada do Henrique, tipo, quase irmã então na hora que Henrique saiu da sala, fiquei sabendo que ela começou a chorar e as amigas que estavam em volta ligaram para a namorada cujo nome, descobri agora, é Nathaly e agora Millena ta lá contando tudo, chorando. Podiamos ir lá né?
- Acho que não... – Respondo depois das novidades recebidas. - Faltam uns minutos só pro sor Renan chegar, é mais pratico, acho, quero dizer...  Na hora do intervalo... Mas... É impressão minha ou...
Thais completou minha fala pra Eduardo:
- Você meio que arrasta uma asinha pela Millena?
- Nããão viajeeeem! De onde tiraram essas ideiaas?
Eu e Thais nos olhamos com cumplicidade e falamos juntas:
- Do jeito que  tu fica com ela dããããã
- Nah tem nada a ver!!!
Foi a vez de Bruno se meter:
- Nada a ver então tu ficar grudado nela com a desculpa de ombro amigo!
Que golpe baixo, mas foi divertido porque o Edu ficou rosa, depois vermelho, depois meio banco e então voltou a sua cor normal. Se virou e saiu pela porta sem falar mais nada. Nossa valeu Bruno, realmente te devo uma pelo fato de ter matado minha curiosidade sobre o grude do Eduardo com Millena.
Então agradeci:
- Obrigada por matar minha curiosidade ‘’sensei’’.
- Haha, de nada ‘’Gafanhota’’
Rimos.
Então, depois de 6 entediantes horas de aula (5 não contando o intervalo, mas são só curtos 30 minutos.) eu e Bruno fizemos nossa longa jornada de 1 quadra depois da escola para a casa dele. Dei oi para a família de intercambio dele que já se acostumaram com minha constante presença e fui (FINALMENTE!) atualizar meu skype e ai...
:] Lindas 105 mensagens brotam no meu Skype. 50 CHAMADAS NÃO ATENDIDAS (Favor deixar o recado após o sinal.) E 51 MENSAGENS!
Meu Deus! Esse povo não sabe viver sem mim?!?!?!
Poxa, iam ser só mais alguns longos meses em Londres, recebendo as caras ligaçoes internacionais (perguntando se eu estava sendo bem tratada, se estava comendo direito, se estava tomando banho sempre – ridiculo em minha opinião – se escovava os dentes 3 vezes ao dia, se estava praticando atividade fisica, etc.) em fim, o blá-blá-blá de sempre inacabavel e incansavel dos meus pais e meus amigos, que deviam estar FALINDO seus pais para dizer oi, tudo bem?, e me mandando NÃO esquecer em HIPOTESE ALGUMA  os ilustres e magnificos presentes. (Humpf. Bando de oportunistas.) Enquanto eu tinha meu ataque de nervos olhando as mensagens REPETIDAS  MAIS DE 1 BILHÃO DE VEZES (e enlouquecia) Meu querido amigo me chamava freneticamente, incansavel e INSUPORTAVEL! Então sai do skype, não tinha um pingo de paciencia para as conversas com o Vitor. Francamente, as vezes acho que esse menino me ama (Só pra informar, isso era pra soar como uma brincadeira ok?).
Bruno me tirou do transe para irmos tomar sorvete. Nossa, beeeelaaaa hora pra me chamar atenção, não tinha momento PIOR não? :] Então contra minha vontade, apenas fechei docemente (quase afundando o botão do mouse) as guias da internet contra minha vontade e saimos para o TÃO ESPERADO SORVETE!
Bom, das minhas 6 amigas, apenas Joana e Thais me compreendiam pelo fato de eu preferire muito mais andar com meninos que com meninas. O fato era simples: Menos brigas, menos problemas. Mais divertido. E talvez me entendessem até pelo outro simples fato de elas também conviverem constantemente com meninos. Das minhas amigas do intercambio, Lorena e Priscila viviam fazendo graça, deboxando de mim viver praticamente com Bruno, mas... Thais quando queria calava a boca de qualquer um, era isso que ela fazia com Lorena e Priscila. Por sorte, muita sorte a Vanessa e a Sabrina não foram no intercambio. Porque:
A)  Elas eram superconsumistas, patricinhas. Estourariam o cartão de crédito dos pais e acabariam com as lojas.
   B)   Elas também implicavam com minha amizade com Bruno
   C)    Elas não iriam mesmo em um intercambio de estudo, só iriam se fosse pra se divertir, como os de férias e tal, então decidiram não vir. Não foi nem pelos pais não deixarem, pois isso não aconteceria, eram muito mimadas.
Prosseguindo! (Mil pensamentos na cabeça de Alice! Foco Alice! Foco na historia!)
Então enquanto eu pensava nas minhas amigas mimadas e molecas eu e Bruno caminhávamos em direção ao santuário (sorveteria) e encontramos Thais, Joana e Eduardo sentados numa mesinha comendo uma doce e saborosa banana split.
Assim que nos avistaram nos chamaram pra sentar com eles, então o garçom nos deu o cardápio, não foi muito necessário. Eu sempre peço uma casquinha de chocolate, e Bruno um Milk-shake de chocolate. (Dividimos essa adoração por chocolate em comum... Hum...) Ele, no caso bebeu seu Milk-shake e eu devorei minha casquinha. Então basicamente, comemos e fomos de volta (Dessa vez toda nossa turma que tava na sorveteria) para a casa do Bruno ver algum filme. Eu, Joana e Thais sugerimos juntos por acaso que apesar de ser um nome bem meloso (Vamos combinar) é engraçado e divertido. Os meninos sugerem velozes e furiosos então eu e Thais cruzamos os braços enquanto Joana, ingenuamente considera a idéia.
- Vocês querem ver velozes e furiosos só por ter mulheres ‘’gostozonas’’ não é? – Thais fala meio irritada
- E se for? – Eduardo rebate – Somos homens! Temos hormônios!
Bruno tenta se explicar
- Na verdade eu me interesso mais nos carros...
- Viu?! – Eu falo – Bruno tem interesse genuíno. (Genuino: adj. Próprio, verdadeiro, natural, puro, sem mistura ou alteração.) Não pelas mulheres peitudas, mas sim pelos carros! Me orgulhei agora!
Bruno cora
- Quer dizer... Eu gosto mais dos carros, mas... As mulheres também são bem... Bonitas...
Ele passa mão na nuca nervoso e eu fico encarando ele séria. Pego o filme Juntos por acaso e coloco no DVD sem deixar eles falarem. Perdemos tempo de mais com discussões idiotas, por motivos idiotas. (Na verdade, acho todas as discussões absurdamente 90% das vezes idiotas. São sempre motivos ridículos como: VOCÊ NÃO FEZ A MERD* DO SERVIÇO QUE EU TE PEDI! – EU ESQUECI! – NÃO INTERESSA VOCÊ NÃO FEZ! . E começas as discussões insuportavelmente infinitas. ) Então, os meninos abriam a boca pra começar ma nova discussão mas como só obtiveram silencio em troca, então calaram a boca de uma vez. Era quase meia noite então Bruno talvez por pura educação convidou a gente pra dormir em sua casa, eu sabia que os pais de intercambio de todos deixariam então aceitamos. Não somos burros ok? As vezes lerdos no raciocínio de coisas obvia mas não burros. Preferíamos uma noite em amigos que uma noite em família, essa é meio que uma regra de prés e adolescentes.
Não exatamente uma regra mas sabe, sentíamos maior conforto com amigos do que com os pais, bem quem entendeu, entendeu. É confuso assim mesmo. Acho que praticamente só quem pensa coisas confusas entende.
Arrumamos uns colchonetes e dormimos (Que bom que os pais levaram as coisas, roupas, etc.)
09:50|Domingo de manhã|27 de Setembro |Londres
Que maravilha! Que bela manhã! Finalmente Acordamos! (Ironicamente dizendo, com voz de locutora de radio, porque odeio acordar de manhã depois de um bom sonho e ainda mais com um idiota jogando travesseiros em mim!) Então começou a gritar:
- ACORDA BELA ADORMECIDA JÁ É 8 HORAS DA NOITE!!!
Ai eu acordei assustada:
-COMO?
Ai ele começou a rir. Olhei pro relógio... 09:50? NOVE E CINQUENTA? DA MANHÃ? EU PRECISO DE PELO MENOS 10 HORAS DE SONO E SÓ OBTIVE 9?!?!?!?!?!
Ai como em passe de mágica eu estava tacando travesseiros no Bruno e ele em mim, conseqüentemente me fazendo esquecer minha raiva e vontade de fuzilá-lo e entrando na 3º guerra mundial (de travesseiros). A que ponto critico eu cheguei da idiotice suprema do Bruno ter me afetado? Chutei delicadamente Thais como um mamute pisa em uma flor que acordou estapeando meu pé e pernas:
- SUA LOUCA! QUASE ME FAZ CAIR DO COLCHÃO! EU VOU TE MATAR!
E entrou na guerra.
Logo depois Joana e Eduardo acordaram praticamente com o rosto colado um no outro, conseqüentemente fazendo-os gritar e acordar toda a casa. Interrompemos a guerra para o seguinte aviso: FINJAM QUE ESTÃO DORMINDO PARA QUE OS PAIS DE INTERCAMBIO DO BRUNO CONTINUEM PERMINTINDO NOSSAS VISITAS!
Quando íamos voltar para a cama Bruno alertou:

-Não se preocupem. Eles não estão em casa. Mas os vizinhos devem ter ouvido esse berro de leão.

Beijos Nick :D

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